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Recomeçar
a vida depois do divórcio pode se
tornar mais difícil se os filhos
não aceitam o novo relacionamento
dos pais. Mas a situação não
precisa ser encarada como um drama. Com
naturalidade e sensatez, fica fácil
integrar as crianças à nova
relação.
Dados do IBGE
revelam que o número de divórcios
realizados no Brasil aumentou 7% em 2006.
Depois do desgaste da separação,
os dois lados do casal recomeçam
suas vidas, reaprendem a ser solteiros e,
de repente, se vêem envolvidos com
novas pessoas. É nesse ponto que
começa outro “drama”,
quando os filhos do ex-casal nem sempre
aceitam aquele novo relacionamento do pai
ou da mãe.
A professora Ana Barbosa
passou por essa situação com
as duas filhas. O primeiro namoro depois
do divórcio foi um tanto traumático
para ambos os lados. “Minhas filhas
não aceitavam meu namorado. Eu achava
que era pura implicância, pirraça
de criança e, como estava encantada,
impunha a presença dele. Com o tempo,
vi que estava errada, tanto em relação
à minha atitude, quanto em relação
ao que sentia pelo cara”, assume,
Ana. A situação serviu de
aprendizado. Ana conta que depois desse
relacionamento ficou mais cautelosa e mais
compreensiva.
“Antes de apresentar
o(a) namorado (a) ao filho, o mais importante
é que a pessoa tenha certeza que
aquele relacionamento vale a pena, que será
duradouro. É preciso se sentir confortável
na relação para que ela inclua
também o filho”, aconselha
a psicóloga e terapeuta de família,
Gabriela Pesce. Ela ressalta que nem todo
relacionamento deve ser contado às
crianças e sim aqueles que sejam
realmente importantes.
O ideal é que,
ao constatar que o relacionamento tem futuro,
o pai ou a mãe conversem com o filho
e, com sinceridade, explique o que está
acontecendo. “A apresentação
deve acontecer de forma natural, de preferência
em um lugar que a criança se sinta
à vontade. Um jantar em um restaurante
pode deixar a criança desconfortável
e predisposta a rejeitar aquela pessoa nova”,
explica Gabriela.
O advogado Jorge Luiz Oliveira utilizou
uma estratégia na hora de apresentar
a namorada aos filhos. “Eu tenho uma
menina e um menino e Marcela tinha uma menina.
A diferença de idade era mínima.
No início, fazíamos programas
infantis. Íamos a parques, praia.
Fazíamos programas que as crianças
gostavam e que podiam interagir. Elas ficaram
amigas e foi mais fácil aceitarem
o relacionamento dos pais”, conta.
A não aceitação
do relacionamento dos pais pode se mostrar
na rejeição, que pode resultar
em atitudes grosseiras e agressivas ou na
infantilização excessiva da
criança. “A reação
do filho vai depender muito de como foi
a separação dos pais e de
como eles se relacionam. Se não ficaram
mágoas e tudo foi bem resolvido,
a tendência é que a criança
aceite mais naturalmente”, diz a psicóloga.
Ela acrescenta que, muitas vezes, o filho
acaba manifestando o ciúme que o
pai sente da ex-mulher, por exemplo.
Para quem está
chegando na vida dessa família, o
mais importante é estar disponível
para a situação. “Não
dá para querer competir com o filho
do(a) namorado(a). Assim como não
adianta reclamar que não tem os finais
de semana livre porque ele(a) tem que ficar
com os filhos. É preciso ser sensato”,
diz.
Na hora de lidar com
a reação da criança
é aconselhável que se respeite
o tempo de cada uma. “Não pode
fazer disso um problema. É uma situação
nova, diferente, mas que a criança
vai se acostumar. É preciso aceitar
o sentimento dela e esperar”, recomenda
Gabriela. A comunicação entre
o ex-casal também é fundamental.
“Não existe ex-pai ou ex-mãe.
Eles têm que se entender para ajudar
o filho a viver a nova situação”,
completa.
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