Solteiro sim, sozinho nunca

Liberdade, opção de escolha, paqueras, falta de compromisso, falta de cobranças, viagens, festas. O que mudou na solteirice para que ela não seja mais encarada como sinônimo de solidão, como acontecia há décadas atrás?

No Brasil, os solteiros com idade acima de 30 anos, divorciados e viúvos já somam 35 milhões. Boa parte dessa geração já não se encanta mais com a antiga concepção de um casamento bem-sucedido. Mulheres mais independentes, mercado de trabalho estressante e pouca estabilidade financeira são alguns fatores que trouxeram mudanças aos relacionamentos amorosos.Com tantas pessoas optando por ficarem solteiras, será que também aumenta a sensação de solidão? Parece conversa fiada, mas os solteiros por convicção existem e eles não têm medo nenhum da solidão. “Se sentir completa é algo que independe da presença de um namorado ou não. A baixa auto-estima pode ser compensada com a presença de pessoas que você gosta, um amigo, um livro, ou qualquer coisa que te faça feliz”, resume Sandra Pissurno, 25 anos, formada em Direito.

Mas o que mudou na solteirice para que ela não seja mais encarada como sinônimo de solidão, como acontecia há décadas atrás? Antigamente, as pessoas eram educadas para casar cedo e ter filhos, e os “solteirões” sofriam um grande preconceito da sociedade, principalmente as mulheres. Atualmente, os valores mudaram e admite-se que estar solteiro é um direito, seja temporário ou para toda a vida (saiba por que você é um solteiro convicto em http://www.terra.com.br/istoegente/testes/index.htm). “No mundo pós-moderno, tudo é arrebatador e há sempre muitas coisas para fazer, com um aumento muito grande do individualismo. Com tantas opções para seguir, aumentaram as expectativas e também as frustrações. É difícil mesmo saber o que quer”, acredita o psicanalista Bernardo Jablonski.

Liberdade, opção de escolha, paqueras, falta de compromisso, falta de cobranças, viagens, festas. Como não faltam opções de atividades e quase nada é definitivo, estar solteiro pode ser encarado como uma fase de descobertas. Com horas mais livres só para fazer o que gosta, o período de solteirice serve para conhecer pessoas e principalmente entender seus próprios gostos (confira opções de lazer em http://oglobo.globo.com/guiaseservicos/guiadelazer).

Para muitas pessoas, ser solteiro não é uma opção, mas algumas se sentem bem com a situação e levam a vida sem dramas. “A vida de solteiro é mais livre. Não existe muita obrigação. A pessoa solteira sai mais porque busca mais coisas. Mas não acendo vela para a solidão. Estou sempre envolvido em um monte de coisas, música, família, trabalho...”, analisa o jornalista Nuno Virgílio Neto, de 30 anos.
Se, em outros tempos, a chave para a felicidade era imposta pelo coração, hoje, as preocupações são mais individuais e menos afetivas. Sem pressa de acertar, homens e mulheres criam suas próprias receitas para equilibrar-se entre família, trabalho, amor, amigos, cuidados com a saúde, bem-estar espiritual e atividades de lazer.

Com o tempo jogando a favor, com prazos mais elásticos para a primeira maternidade e para a saída da casa dos pais, ficar solteiro (a) é uma opção prática e que também pode ser muito divertida. “Uma relação afetiva às vezes vira um luxo: ‘ah, esse ano eu não vou viajar, seria bom ter alguém’. Hoje, as pessoas têm menos medo de sair de uma relação porque sabem que não é uma condição irreversível”, lembra Úrsula Resende, de 34 anos.

Mas nem todos estão à vontade com o status que “grita” nas páginas pessoais dos sites de relacionamento: solteiro. O ser humano tem uma dificuldade natural em lidar com o fato de estar sozinho, e não ter alguém para dividir os momentos, aí vem a famosa carência. “Essas novas formas de relacionamento têm a ver com o declínio do ideal do amor romântico. Ele caiu por terra, mas ainda não se construiu um outro ideal para substituí-lo”, acredita a psicanalista e professora do Instituto de Psicologia da UFRJ, Ana Lila Lejarraga.

Homens e mulheres ainda estão aprendendo novas formas de mediação. Mas não faltam exemplos para comprovar que solteirice não vem mais atrelada à solidão (descubra que tipo de solteiro você é em http://veja.abril.uol.com.br/030805/p_112.html). “A solidão tem a ver com a própria pessoa e estar solteiro é uma condição em relação ao outro. A diferença radical é que ser solteiro é uma escolha e ser solitário não tem nada a ver com escolha consciente”, compara a psicanalista Ana Lúcia Goldenberg.

Não adianta buscar no outro o alívio para sua solidão. Vale mais a pena atentar para o reforço de sua própria individualidade e descobrir como colocar em prática seus desejos e vontades. “Para estar bem com alguém é preciso estar bem sozinho, porque aí você vê que não é perfeito, que às vezes é chato também. Muitos casais estão juntos mas são extremamente solitários”, observa Nuno Virgílio.

Portanto, aproveite a solteirice e, se um dia se sentir sozinho, é só passar a mão no telefone e ficar horas falando besteira e dando risada com a amiga, dar uma corrida na praia e chamar os amigos para uma conversa descontraída. Mas, é claro, que até para os solteiros mais convictos sempre existe a possibilidade de encarar um relacionamento. Afinal, quando o amor bate na porta não há quem não queira se entregar de corpo e alma para outra pessoa.

 




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