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Teatro, dança,
cursos e palestras são indicados
aos tímidos como forma de aprender
a se descontrair. Mas estas atividades,
sozinhas, não curam a timidez. Para
se ver livre da insegurança e do
medo de enfrentar situações
sociais, o tímido deve buscar ajuda
especializada.
Os sintomas são claros:
palpitações, respiração
acelerada, mãos suadas, sensação
de sufocamento. Para o tímido, situações
comuns da vida, mesmo aquelas que não
representam situações de perigo,
podem ser difíceis de enfrentar.
Pensando em uma melhor qualidade
de vida para estas pessoas, diversos lugares
oferecem cursos, palestras e atividades
interativas que prometem resolver o medo
da interação social. Mas será
que essas ações funcionam?
Segundo o psiquiatra Nei Nadvorny, atividades
deste tipo são treinamentos para
algo que o tímido pretende realizar,
mas não resolvem o problema. “Digamos
que a pessoa tenha dificuldades em falar
em público e precisará apresentar
uma palestra no trabalho. Ela até
poderá fazer um destes cursos de
desinibição e auto-ajuda e
realizar uma boa apresentação.
Porém, quando ela se deparar com
uma situação semelhante em
outra fase da vida, os sintomas e a insegurança
da timidez surgirão, pois o curso
realizado foi como um treinamento para uma
questão específica”,
explica ele.
A solução,
então, para o psiquiatra é
a procura de tratamento com terapia. “Todos
os casos de timidez que foram tratados com
terapia resultaram em melhora. O interessante
é que muitos dos meus pacientes procuravam
ajuda médica para curar outras doenças,
como a depressão. E ao longo do meu
trabalho eu fui percebendo que a maioria
deles apresentava um quadro de timidez,
o que desencadeava estas doenças”,
conta ele. Foi por causa disto que Nei,
que trabalha há 20 anos com depressão,
decidiu se especializar em timidez.
“Comecei a estudar
a timidez e descobri que quase não
se tinha acesso a informações
sobre o assunto”, comenta. O médico
conta que por isso criou o site Laboratório
da Timidez. No portal, o internauta
tem acesso a informações e
casos, pode participar de um chat, tirar
dúvidas e, ainda, fazer um teste
para saber se realmente é tímido.
“A idéia de fazer o site é
de que ele pode ser acessado por qualquer
um, em qualquer parte do mundo. Eu já
recebi perguntas de pessoas que moram até
no Japão. É importante que
o paciente tenha acesso ao informativo e
entenda o que ele sente”, diz.
Dependência
Segundo o psiquiatra, existem
áreas diferentes na qual a timidez
se desenvolve. Seja no campo profissional,
onde a pessoa terá mais dificuldade
em trabalhar em grupo, conversar com o chefe
ou ter algum espírito de liderança,
ou na vida afetiva, onde é mais complicado
para a pessoa fazer amizades, namorar, sair
e conhecer novos lugares.
Os tímidos se sentem
muito sozinhos e quando encontram alguém
com a qual se sentem à vontade, podem
se tornar dependentes, o que não
é nada saudável para a relação.
Se lidar com a solteirice já não
é muito fácil, imagina para
quem não se sente à vontade
saindo de casa. “O que é preciso
entender quanto ao tímido é
que ele não consegue sair de casa
e se envolver socialmente. Ele até
quer e deseja isto, mas o medo e a insegurança
falam mais alto”, explica Nei.
Aulas de dança, teatro,
cursos de oratória podem ser boas
atividades para conhecer pessoas, mas no
caso dos tímidos não irá
resolver seus problemas sociais. “Durante
o curso se a pessoa não estiver bem
informada ela criará uma ilusão
de que aquilo ajudará, mas somente
com a terapia com algum profissional a cura
pode ser alcançada”, finaliza
o psiquiatra.
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