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Ter alguém
para sair, se divertir, namorar e dividir
os segredos sem dar satisfação
ou vivenciar cobranças. Assim é
a amizade colorida. Essa nova categoria
de relacionamento moderno é uma oportunidade
para acabar com a solteirice, mas é
preciso saber evitar as desilusões.
Você
já pensou que aquela amizade que
você tanto estima pode ser uma boa
saída para afastar a solidão
sem as pressões de um relacionamento
sério? Mas, atenção:
se você não quiser colocar
essa amizade em risco, é preciso
não esperar algo mais do que sexo
sem compromisso. Para a psicóloga
Ruth Goldemberg, os homens lidam melhor
com essa falta de vínculos pois,
apesar da liberdade e da independência
adquiridas durante os dois últimos
séculos, as mulheres ainda sonham
com um príncipe encantado que se
encaixe no seu modo de viver e prometa amá-las.
“As mulheres querem
alguém que admire seus encantos.
E a fantasia de um companheiro que as proteja
está sempre presente no inconsciente.
Já a amizade é um afeto que
aproxima as pessoas, estabelece vínculos
que levam ao desejo de que a relação
cresça e permaneça por muito
tempo, às vezes, por toda a vida.
Por isso, é muito comum que a "amizade
colorida" queira se transformar numa
relação duradoura, o que foge
à proposta de descompromisso sustentada
pelo parceiro, advindo daí a decepção,
a desilusão e o rancor. Assim, dificilmente
a simples amizade pode encontrar espaço
neste clima”, analisa.
Ruth ensina que, ao entrar
em um relacionamento deste tipo, é
preciso que a pessoa tenha em mente o que
ele representa e não crie expectativas.
Se for para acontecer algo mais, isto ocorrerá
naturalmente. Se for o caso, converse antes,
pergunte o que a pessoa espera dessa relação
e exponha o seu ponto de vista, mas não
cobre, afinal a idéia inicial é
de não ter compromisso. “É
sempre importante expor o que se quer de
uma relação, mesmo com o risco
de tudo terminar. Mas o que acontece muitas
vezes é que seduzindo, e se mostrando
compreensiva e muito amorosa, a mulher acha
que acabará conquistando o homem
para aquilo que realmente ela deseja - não
um amigo, mas um companheiro. É possível
que isto aconteça, mas não
na maioria das vezes”, ressalta.
Segundo a psicóloga,
é preciso saber a hora de parar.
Se após algum tempo a relação
não progride, e um dos dois começa
a se sentir incomodado, é sinal de
que pode haver algo mais do que o desejo
de estar junto. Se não for o caso
de ficar mais sério, o ideal é
cair fora. Para evitar sofrimentos, Ruth
aconselha que, especialmente, mas não
somente nesses casos, a mulher tenha vários
interesses em sua vida: um trabalho que
a faça sentir-se importante e independente,
vários amigos com quem possa sair,
se divertir, trocar idéias, enfim,
que a sua vida não seja uma procura
compulsiva de alguém que a preencha
totalmente.
Mas, ao contrário
do que muita gente pensa, os relacionamentos
entre amigos são muito comuns nos
dias de hoje. A jornalista Bruna Mendonça*,
por exemplo, que namora há mais de
um ano Pedro*, seu melhor amigo, diz que
nunca imaginou que um dia poderia se apaixonar
por ele: “Conheci o Pedro através
de um conhecido, em 2004. Logo viramos amigos,
pois gostávamos de fazer os mesmos
programas. As pessoas viviam brincando e
dizendo que íamos acabar juntos.
Mas eu achava a idéia um absurdo.
Sempre vi o Pedro como um irmão para
mim”, relata. Depois de “ficarem”
juntos em uma festa, engataram o namoro.
“No início bateu aquela insegurança.
Nenhum dos dois entendia direito que estava
rolando um sentimento maior, mas logo começamos
a namorar”.
Dentre as vantagens de se
namorar o melhor amigo, Bruna aponta a confiança
e a segurança de saber que a pessoa
não vai te julgar, pois já
a conhece muito bem. “Você já
sabe como é o jeito da pessoa e tem
certa intimidade. Assim, é mais fácil
de aceitar os defeitos. Além disso,
temos muita coisa em comum, gostamos de
sair para os mesmos lugares, escutar as
mesmas músicas e temos a maioria
dos amigos em comum”, diz.
Por outro lado, Bruna alega
que uma das desvantagens é o fato
de você conhecer tudo o que aconteceu
na vida da pessoa, principalmente na vida
íntima, o que pode gerar ciúmes.
“Outra desvantagem é que, com
toda essa intimidade, acabamos perdendo
muito mais rapidamente o romantismo”,
ressalta a jornalista.
*Os nomes foram trocados a pedido
dos entrevistados.
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