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Em pleno século 21 é comum
a “solteirice” ainda ser encarada
com preconceito pela sociedade. Os solteiros
homens são rotulados de “devasso”,
já as mulheres são obrigadas
a ouvir que “ficaram para titia”.
Mas, afinal, quais são as condições
de um solteiro por opção?
A
sociedade pós-moderna parece imersa
no mundo da globalização até
mesmo quando se trata de assuntos do coração.
As pessoas vivem quase que exclusivamente
para seus próprios objetivos de vida
e não percebem que estão quase
completamente sós. Alguns curtem
tanto a individualidade que apregoam aos
quatro cantos os benefícios e os
prazeres de viver a “solteirice”.
Porém, no divã de alguns profissionais,
nem sempre os solteiros confirmam esta tal
felicidade.
De acordo com Lindinaura
Canosa, psicanalista da Sociedade de Psicanálise
da Cidade do Rio de Janeiro, o solteiro
por opção é bem resolvido
e não se queixa de estar sozinho.
Ao contrário disso, há os
solteiros que estão neste “barco”
por não terem ainda encontrado o
seu par perfeito, mas afirmam no íntimo
que gostariam mesmo de estarem acompanhados.
“O solteiro que não quer abrir
mão da sua liberdade, da sua vida,
não se queixa que quer encontrar
alguém. Ele é bem resolvido.
Diferente do solteiro que está nesta
condição por falta de opção
mesmo, mas no fundo gostariam de estar com
alguém”, conta a psicanalista,
baseada em seus 20 anos de consultório.
É o caso do solteiro
Severino Loureiro, de 27 anos, que está
na “solteirice” simplesmente
por uma questão de contingência
e não por ideologia ou escolha. “Gostaria
de ter companhia, mas optei por atingir
uma meta que requer profundo comprometimento
por parte da namorada, o que dificulta emplacar
um relacionamento”, conta Severino,
que estuda há três anos para
entrar no Instituto Rio Branco do Ministério
das Relações Exteriores e
já teve um namoro interrompido devido
a sua imersão diária nos livros.
Opção ou condição,
o fato é que o apoio da família,
sem cobranças, é fundamental.
É o caso de Severino, que também
conta com o apoio dos seus amigos, que o
incentiva a estudar. “Não me
sinto cobrado. Pelo contrário, as
pessoas entendem e incentivam meu foco nos
estudos. Tenho amigos que até já
chegaram a revelar que admiram minha disciplina
e minhas abdicações em torno
do meu objetivo”, conta Severino,
sossegado.
* o nome foi modificado
a pedido do entrevistado.
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