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Encontrar
o par ideal tem se tornado uma tarefa cada
vez mais difícil. Alguns solteiros
consideram até uma verdadeira “guerra”.
Para desmistificar o que anda acontecendo
com esse “público”, Solteiros
e Solteiras conversou com uma psicóloga
e uma psicanalista, que nos contaram quais
os perfis e prováveis motivos do
fato de alguns solteiros viverem “mergulhados”
em desencontros.
“João,
que amava Tereza, que amava Raimundo, que
amava Maria que amava Joaquim que amava
Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Tereza para o convento, Raimundo morreu
de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim
suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história”.
Desde as primeiras décadas do século
passado, o poeta itabirano, Carlos Drummond
de Andrade, já retratava em seus
poemas os desencontros amorosos no mundo
dos solteiros.
Para a psicóloga
Iara Brandão, muitos solteiros se
queixam da dificuldade de encontrar seu
par, mas a maioria não percebe onde
estão as falhas na busca. Lugares
e abordagem inadequados e falta de conteúdo
em uma conversa podem ser os caminhos para
a falta de atração.
“A busca varia de
acordo com a personalidade de cada um. Há
solteiros que são muito tímidos,
retraídos e costumam se relacionar
pela internet, através de sites de
relacionamento, o que é pouco seguro.
Nunca se sabe realmente quem é a
pessoa de fato ali do outro lado. Já
os solteiros mais desinibidos, costumam
fazer abordagens mais diretas, físicas
e verbais, que acabam assustando a outra
parte”, alega Iara Brandão.
Muitas mulheres contam que
ficam com alguns homens, vivem bons momentos,
trocam telefones, mas eles simplesmente
somem, sem dar explicação.
Daí começam a surgir os questionamentos:
o que será que eles realmente procuram?
Segundo a psicanalista Lindinaura
Canosa, da Sociedade Brasileira de Psicanálise
da Cidade do Rio de Janeiro (SPRJ), o que
acontece hoje em dia é a intolerância
tanto dos homens como das mulheres, que
não querem abdicar, negociar e fazer
concessões dentro do relacionamento.
Esperam por uma pessoa que se encaixe na
sua vida como um “quebra-cabeça”.
“Esse grupo de solteiros
considerado intolerante precisa perceber
que para viver uma relação
à dois é preciso ser mais
tolerante. Afinal, as pessoas têm
educação e hábitos
diferentes. Negociações e
ajustes podem ser feitos através
do diálogo”, afirma a psicanalista,
com base nos seus 20 anos de experiência
em consultórios.
Lindinaura afirma ainda
que há um grupo de solteiros que
de fato não quer ter vínculo
com ninguém e não abre mão
da sua liberdade. Esse grupo, porém,
não costuma se queixar da solteirice.
“Os solteiros que realmente não
querem encontrar sua cara-metade são
bem resolvidos. Não vivem se queixando
que está difícil encontrar
alguém. Aqueles que se queixam, normalmente,
são os que não abrem mão
para fazer negociações e querem
encontrar a pessoa perfeita para entrar
no tal quebra-cabeça”, completa.
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