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Mais comum durante a infância
e início da adolescência o
costume de escrever em diários é
uma forma de colocar para fora sentimentos
e opiniões. Quando crianças,
fantasiamos o mundo e não temos uma
verdadeira percepção da realidade.
Assim, nossos escritos são sobre
o que rodeia nosso universo e problemas
como brigas com os irmãos, o desejo
não atendido por um brinquedo e a
paixãozinha por um colega de classe.
Porém, o ato da escrita pode, sim,
nos ajudar, especialmente, os mais tímidos
e aqueles que possuem dificuldades em se
expressar.
Para a administradora Camila Santos seu
diário é o seu maior confidente.
“Quando era menina minha avó
me deu uma agenda de presente e disse para
eu escrever quando sentisse necessidade.
Desde então, mantenho o hábito
de ter diários. Quando sinto vontade
e tenho tempo dou uma relida nos cadernos
velhos e me divirto”, relata. Na escrita
podemos desabafar, dizer coisas que não
temos coragem ou não são necessárias,
pois pode machucar outras pessoas. Assim,
a oportunidade de poder reler páginas
antigas é um aprendizado. Segundo
Camila, ela sempre reflete sobre as situações
passadas e vê o que mudou ou não.
“É como se fosse uma auto-análise.
Eu aprendo com a minha própria vida”,
completa.
Outra vantagem da escrita é organizar
as idéias no papel. Em algumas fases
da vida passamos por tantas coisas que os
problemas ficam atolados na nossa mente
e muitas vezes nos impedem de enxergar uma
solução. Escrever pode ajudar
a clarear os pensamentos. E com isso é
mais fácil observar de uma forma
diferente os acontecimentos.
E não são só diários
e agendas que servem para isso. Escrever
cartas, emails e bilhetes também
ajudam. Às vezes é mais fácil
pedir desculpas através da escrita,
por exemplo. “Uma vez fiquei muito
chateada com uma amiga e mandei um email
para ela contando o que estava sentindo.
Foi muito mais fácil do que falar”,
diz Camila. E não é só
em momentos ruins e difíceis que
os diários devem ser companheiros.
As alegrias também devem ser compartilhadas
com os papéis.
Diário Virtual
No mundo virtual, os blogs tomam conta
da rede. São diários virtuais
que podem ser lidos por pessoas de todo
o mundo. Esta aproximação
tem sua importância, pois pessoas
em comum podem dividir as mesmas angústias
e dilemas e através de comentários
é possível haver uma troca.
Mas é preciso cuidado e atenção,
não se deve colocar em público
fatos pessoais, que envolvam outras pessoas,
endereços e telefones. E seria ingênuo
acreditar em tudo o que se lê. Lembre-se
que quando a pessoa sabe que terá
atenção de outra, tende a
escrever os fatos de outro modo, não
sendo tão sincera.
Estas páginas pessoais aproximam
tanto o escritor dos leitores que não
é de surpreender que pessoas tenham
ficado conhecidas através de seus
blogs. É o caso da polêmica
Bruna Surfistinha, uma garota de programa
que escrevia sobre a sua vida profissional.
Suas histórias eram tão acessadas
que viraram um livro. O Veneno do Escorpião
teve até turnê internacional.
Outro livro, Máquina de pinball,
da blogueira Clarah Averbuck foi o responsável
pelo sucesso desta escritora que começou
a publicar seus relatos em um blog e vendeu
suas histórias para o cineasta Murilo
Salles. Este, baseado nos relatos, lançou
o filme Nome Próprio, ganhador de
três Kikitos no Festival de Gramado
deste ano.
Camila, que também teve um blog,
alerta para as críticas e comentários
maldosos que se recebe. “Na Internet
tem muita gente à toa, pessoas que
te criticam e xingam só porque não
concordam com o que leram. Para mim era
simples, eu ignorava. Afinal, não
estava obrigando ninguém a ler, se
não gostou que procurasse outro blog”,
comenta. Ela conta que deletou o seu porque
não tinha mais tempo para atualizar
e por isso acabou perdendo o interesse.
“O legal do blog é que você
pode encontrar de tudo, desde refugiados
de guerra que descrevem seu dia-a-dia até
poetas desconhecidos que se dedicam a publicarem
virtualmente seus poemas. Aquela diversidade
que só encontramos na Internet”,
diz Camila.
Para quem quiser criar um blog existem
sites hospedeiros como o Blogger
e oBrogui
Blogs.
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