Com a esperança de encontrar um amor e combater a solidão, milhares de pessoas estão se tornando adeptas de sites especializados em namoros virtuais, provocando um verdadeiro boom nesse mercado nos últimos anos. Mas que motivos fazem da internet uma ferramenta importante para o relacionamento? Confira.

 


Atualmente, quase todo mundo tem um amigo, um parente ou um vizinho que conheceu alguém pela internet. Esse tipo de encontro está se tornando cada vez mais freqüente entre os solteiros de diferentes partes do mundo, especialmente no Brasil. Uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada no mês passado, revelou que 7,3% dos adultos com acesso à internet fizeram sexo com alguém que conheceram on-line. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas estejam inscritas nos sites de relacionamento em todo o país, número que corresponde a quase 10% dos solteiros brasileiros.

E se engana quem pensa que só estão na rede as pessoas que sempre tiveram problemas amorosos. A internet tornou-se uma ferramenta eficiente para todos, inclusive aqueles que não encontram dificuldades para arrumar um namorado. Entre os que optaram por essa ferramenta, os motivos são variados: solidão, comodismo, falta de opção ou apenas curiosidade. O fato é que os relatos de relacionamentos virtuais que deram certo na vida real estão motivando um grande número de pessoas a abrir mão do preconceito para espantar a solidão.

O fim de um namoro e o coração partido foram alguns dos motivos que levaram Maria*, de 33 anos, a se render à internet para iniciar sua busca por um companheiro. “Depois que fiquei solteira, com 32 anos, saí algumas vezes para boates, mas só conheci meninos mais novos, de 25 a 28 anos. Não sabia onde conhecer pessoas da minha idade. Como não estava estudando e no trabalho só tinham mulheres, as oportunidades eram poucas. Foi quando conheci uma pessoa que me contou que era de Curitiba e estava morando no Rio de Janeiro por causa do atual namorado, que ela tinha conhecido na internet. Como no meu e-mail tinha um link para entrar em um site de relacionamentos, um dia resolvi entrar para ver como era”, conta.

As conversas entre os pretendentes podem ficar só no estágio eletrônico, outras poderão ir adiante, resultando em um relacionamento mais sério. Maria diz que encontrou o seu atual namorado em apenas um mês de cadastro no site de relacionamento. “Ele mandou uma mensagem dizendo que morava no mesmo bairro que o meu e que gostaria de me conhecer. Achei interessante, gostei da foto dele e do perfil. Logo lhe respondi passando o meu MSN. No dia seguinte conversamos e ele me convidou para sairmos juntos, naquele mesmo dia, com amigos, em uma festa na Lapa. Eu tinha gostado muito da nossa conversa pela internet. Já dava pra ver que ela era uma pessoa interessante. Saímos naquele dia, ficamos juntos e não nos desgrudamos mais”, detalha.

Segundo Patrícia Tasca, psicóloga da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, a internet facilita na procura de um namorado porque protege a pessoa de um contato pessoal direto e facilita encarar algumas dificuldades, como a timidez. Para ela, a grande maioria dos internautas entra em sites de relacionamento apenas por curiosidade e depois acabam se interessando pela ferramenta. “A internet é uma etapa mais fácil no relacionamento, mas também pode se tornar perigosa, já que você não tem todas as informações disponíveis a respeito daquela pessoa e algumas podem não ser verdadeiras”, diz.

Maria garante que apesar das desconfianças em torno da internet, vale a pena correr o risco. “A partir dos 30 anos, nem sempre as pessoas têm pique para sair e a internet acaba sendo uma opção menos cansativa e mais econômica também. No entanto, você tem que saber que as pessoas vão colocar suas melhores fotos e também podem mentir um pouco. Então, nada de ilusão, é preciso estar preparado para a desilusão no primeiro encontro. O legal é que na internet você encontra muitas pessoas livres da sua faixa etária”, destaca Maria.

A psicóloga alerta que a internet pode ser uma ferramenta bastante eficaz para conhecer pessoas, mas ela alerta para quando a prática deixa de ser saudável. “O uso contínuo do computador para todas as atividades pode levar a um hábito exagerado, que pode gerar uma psicopatologia, como o vício e a compulsão. O usuário chega a esse limite quando coloca de lado as atividades do mundo real para ficar somente on-line. A internet deve ser usada apenas como ferramenta inicial do relacionamento. Dessa forma, não vejo nenhum malefício”, explica.

* O nome foi modificado a pedido da entrevistada.


Dica importante:

Existem muitas pessoas legais na internet, mas é preciso estar atento. Marcar encontros em locais públicos, avisar a sua família que vai encontrar alguém que conheceu pela internet, e deixar o número do telefone dele anotado em casa.



 
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