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“Lisboa
é uma Festa!”
Ah, Lisboa
é sim uma festa, sobretudo neste
Julho de 2008. Cidade onde o antigo e o
moderno convivem harmoniosamente, Lisboa
é um universo de possibilidade, e
advirto de antemão que estas poucas
linhas não bastam para descrevê-la.
Vou tentar dar dicas que considero imperdivéis.
Primeiro, dê preferência ao
transporte público. Com um moderno
e funcional metrô (“metro”,
dizem cá, sem o acento no “ô”)
e muitos ônibus (“auto-carros”)
e bondinhos (“elétricos”),
desloca-se rapidamente para qualquer ponto
da cidade. Ainda quanto ao transporte público,
a melhor opção é adquirir
um passe que vale de acordo com os dias
de sua estadia e é aceito em todas
as modalidades: metrô, trens (“comboios”),
barcos, elétricos. Há ainda
o Lisboa Card que, além de valer
no transporte, dá desconto e acesso
gratuito a muitos monumentos e a outras
atracões.
A segunda dica é
andar, andar muito, sobretudo por três
zonas: a Baixa, Belém e o Bairro
Alto. Este é a zona boêmia
da cidade. Não se assuste com a decadência
aparente do Bairro Alto, pois ela não
passa disso, de aparência. À
primeira vista tem-se uma má impressão
com tantos cartazes e pichações
nas fachadas dos prédios antigos.
À medida que escurece, os bares (dezenas)
e pequenos restaurantes (ou “tascas”)
ganham vida, movimento e alegria. Pare no
que lhe agradar mais em termos de cardápio,
preço e música, procure, tem
do mais barato – refeição
a 5 euros, por exemplo – ao mais requintado.
Mas não se esqueça, o Bairro
Alto é para noite. De dia, um deserto.
A Baixa é um caso
a parte. A partir da Praça do Comércio
e da estação de metrô
do Chiado tem-se acesso a toda a cidade.
Não vou falar muito sobre a Baixa,
seria indescritível em poucas linhas.
Ande, ande, ande e, claro, não deixe
de buscar as margens do Tejo (há
lá agora um tanto de obras, mas tem
sempre algum acesso) , um rio-mar espetacular.
Ande pela Baixa e não tema se pegar
a esmo num dos tantos elétricos que
passam por lá, sobretudo se o destino
for Almada, um bairro não muito distante
onde se concentra a tradição
do Fado ao entardecer – no verão
o sol se põe a partir das 21h.
E finalmente, Belém,
que é mais do que a famosa (e bela)
torre do século XVI. Também
desta época é o Mosteiro dos
Jerônimos, com arquitetura de traços
medievais. Na capela (imperdível
e de acesso gratuito) há, entre outras
atrações, o túmulo
de Camões. Uma visita aos Jerônimos
nos dá a dimensão exata de
como o nascente império português
– o Portugal do XVI, que é
o que chega ao Brasil – concebia sua
grandeza. Em frente ao mosteiro, está
o moderníssimo CCB (Centro Cultural
Belém, acesso gratuico com o Lisboa
Card) onde há sempre exposições
e espetáculos atraentes. O Tejo marca
a paisagem, e às suas margens está
o Monumento dos Descobrimentos, cuja grandiosidade
nos remete a outro Portugal que se achava
maior do que era de fato (o da ditadura
salazarista e do colonialismo em África)
e, logo adiante, a torre de Belém,
já bem próxima à foz
do Tejo, uma paisagem impactante e historicamente
emblemática.
Como disse no início,
Lisboa não cabe nestas poucas linhas.
Pra quem chega a partir desta semana, recorra
logo ao guia turístico local (tem
um ótimo, “Follow Me Lisboa”),
pois há atrações imperdivieis,
como a exposição sobe a vida
e obra de Saramago (até o dia 27,
no palácio da Ajuda) e espetáculos
para todos os gostos (inclusive muitos artistas
brasileiros), da atual diva do Fado, Mariza,
a Lou Reed.
Última dica: www.visitlisboa.com
. E último conselho: não deixe
de visitar a cidade e de inventar a “sua”
Lisboa.
“Nossa(?) língua portuguesa”
Lisboa é repleta de brasileiros,
descendentes, naturalizados ou imigrantes.
Não se admire de encontrá-los,
pois vai se cansar de admirar-se. Isto –
e as novelas brasileiras - faz com que o
lisboeta seja um bocado familiarizado com
a maneira de falar o português ai
na margem ocidental do Atlântico.
Mas não vá pedir um “chopp”
em algum bar, pois o “chopp”,
em Lisboa, é “imperial”.
Também se diz “fino”,
como é chamado o chopp no Centro
(a zona de Coimbra) e ao Norte (do Porto
para cima), mas na capital o mais comum
é “imperial”. Claro,
se pedir um chopp será atendido,
pois há grande chance de o garçom
ser brasileiro. Em tempo, “garçom”
aqui é “empregado de mesa”,
com o equivalente feminino aplicado à
garçonete.
Tulio Muniz é
Jornalista e Historiador, desde novembro
vive em Coimbra, Portugal, onde faz Doutorado
em Sociologia, com apoio do Programa Alban.
Para falar com os colunistas envie mensagem
para
pelomundo@solteirosesolteiras.com.br
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