Pelo Mundo
Maíra Amorim e Túlio Muniz
 
 

Sobre a cidade que dorme cedo

Quando recebi a proposta para escrever essa coluna, pensei que não me faltaria assunto, afinal, estou vivendo em Londres, uma das maiores capitais do mundo, onde tudo acontece. Porém, agora me pego sem saber direito por onde começar, já que tem tanta coisa legal por aqui. Estou fora do Brasil há nove meses, há seis descobrindo a cidade incrível que é Londres, cosmopolita, fashion, colorida, vibrante. Espero aqui dar algumas dicas de coisas bacanas para se fazer, de lugares legais que conheci, de cantos escondidos para explorar...

Acho que, pra início de conversa, os pubs são um bom tema. A gente ouve muito falar dos pubs ingleses, mas sem ter muita noção de que eles são uma verdadeira instituição na terra da Rainha. Basta dar uma volta lá pelas 18h da tarde para notar que há algo diferente no ar, um burburinho, gente falando mais alto. É que acabou o trabalho e chegou a hora – sagrada – de ir pro pub. Se o sol estiver de bom humor, então, as calçadas estarão lotadas de pessoas bebendo na rua, porque os ingleses não perdem uma chance de aproveitar o calor (e, além disso, é proibido fumar do lado de dentro).

Sem exagero algum, é possível encontrar um pub a cada esquina. Tem para todos os gostos. Embora a maiora do público tenha entre 30 e 40 anos, a faixa etária costuma ser bem variada. Você pode encontrar desde uma turminha que acabou de completar 18 anos até uma galera que já atingiu a maioridade faz bastante tempo. E todos convivem harmoniosamente, o que é muito bacana.

O clima é de uma azaração mais relax, já que a maioria das pessoas, geralmente, está ali de passagem (a caminho de casa ou de um outro evento). A dica é tentar encontrar o seu “local pub”, que é como os ingleses chamam o estabelecimento que freqüentam diariamente. O “local pub” pode ser perto do trabalho ou de casa, e eles costumam ser fiéis. Por isso, são grandes as chances de se esbarrar várias vezes com uma pessoa interessante que bata ponto no local, caso você resolva fazer o mesmo.

O que eu não sabia quando me instalei em Londres é que a grande maioria dos pubs fecha às 23h. A licença para funcionar até tarde custa mais caro, por isso os pubs geralmente são um “esquenta” para quem estiver afim de esticar a noite num bar ou boate que fiquem abertos até de madrugada. Quando chega a hora de fechar, eles te expulsam sem dó nem piedade. E, nas ruas, você vai encontrar uma multidão de pessoas, também expulsas de onde estavam. A estratégia é válida para evitar o consumo excessivo de álcool e permitir que as pessoas voltem para casa de metrô (que funciona diariamente até meia-noite). Eu demorei a me habituar, pois, como boa carioca, 23h para mim é hora de sair de casa, não de voltar. Mas aos poucos fui entendendo que acaba cedo porque também começa cedo – e já nem acho tão ruim assim. Porque é bom pra todo mundo: para quem quer emendar a balada ou para quem quer descansar e aproveitar o dia seguinte.

A seguir, algumas dicas de pubs legais:

Waxy O’Connor: A portinha pequena engana. O Waxy é um pub irlandês enorme, que tem até uma árvore no meio. Às sextas e sábados fica bem animado e rola até uma pista de dança. Durante a semana é mais tranqüilo. http://www.waxys.com

Lamb and Flag: Um dos muitos pubs antigos de Londres. Esse era freqüentado por Charles Dickens. Nos dias quentes, fica cheio de gente bebendo do lado de fora. 33 Rose Street, Covent Garden, WC2E 9EB

The Ten Bells: Mais um pub antigo, que fica na região badalada de Brick Lane, no East End londrino. Foi lá que esteve a última vítima de Jack Estripador antes de ser atacada. Além da história, vale a pena pelos sofás, pelo papel de parede e pelas músicas dos anos 70 e 80. 84 Commercial St, E1 6LY

Spanish Bar: Não tem nada de espanhol, além da decoração que remete às touradas de Madri. A juke box do lugar foi escolhida como um dos melhores motivos para se morar em Londres pela revista Time Out. Pequeno, mas cheio de personalidade. 42-44 Hanway Street, W1T 1UP

Maíra Amorim é jornalista. Já morou na França e atualmente vive em Londres, onde faz um mestrado em "Comunicação e Estudos Culturais".

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