Pelo Mundo
Maíra Amorim e Túlio Muniz
 
 

Inverno em Portugal
 
Algumas dicas enquanto ainda é inverno. A diversidade de paisagens deste país é o que mais chama atenção. Primeiro, a neve, que ainda permanece em toda Europa durante o inverno rigoroso desse ano. Na Serra da Estrela, com seus dois mil metros de altitude, a neve é permanente e há opções de hospedagens a partir das cidades da Guarda e da Covilhã. Estando lá, procure a melhor maneira de chegar às zona mais altas da Serra, de preferência às torres desativadas da Força Aérea. Estão à venda, bem como um vasto patrimônio imobiliário das Forças Armadas portuguesas que, com a caixa em baixa, vai leiloar desde prédios centenários em Coimbra às tais torres. Dependendo de quanto anda a sua poupança e do interesse pelas torres, pode ser um bom investimento.

Para quem busca outra opção que não a neve, Lisboa é sempre a melhor, e com uma boa notícia para quem viaja sozinho e busca conhecer novas pessoas. As antigas hospedagens em albergues (agora “hostels”) têm crescido em oferta e qualidade, ao ponto de uma classificação recente do Hostels World ter indicado que quatro dos dez melhores do mundo estão em Lisboa. Conheci recentemente o “melhor do mundo” – o albergue, não o Cristiano Ronaldo, que como jogador até concordo no que tange a qualidade, desde que ele se limite a jogar e não a emitir opiniões sobre o que lhe passar na cabeça.  O “melhor hostels do mundo” é o Travellers House, administrado e gerido por um grupo de jovens amigos que em plena Baixa lisboeta se instalaram em três andares de um dos prédios antigos da Rua Augusta, há menos de 100 metros da praça do Comércio. O lugar é mesmo uma graça e os anfitriões são simpaticíssimos. Bastou um toque de bom gosto aliando decoração moderna com um ambiente rústico e pronto, atraem jovens de todo o mundo, em todas as épocas do ano.

O segredo para ser “o melhor do mundo”, me diz um dos jovens gestores, é “nenhum, buscamos fazer com que as pessoas se sintam bem, e em casa”. Os quartos são simples, os banheiros (“casas de banho” em Portugal) e a cozinha são coletivos, mas tudo impecavelmente limpo e confortável. Viajando acompanhado ou sozinho, é um ambiente rico em diversidade, diferenças e possibilidades.

E como cá há sol o ano inteiro (a exceção das últimas semanas de Janeiro e primeiras de Fevereiro, extremamente chuvosas), um giro pelas praias do Sul pode ser divertido. Não para banhar-se, claro, mas para ver a paisagem que nesta época é cheia de trailleres, esses reboques ou ônibus ou vans (“carruagens”, aqui) nos quais se vive ao mesmo tempo em que se viaja. Geralmente são holandeses, vindos de um país onde a chuva e a neve não dão trégua, segundo relatos de uma amiga que vive na Holanda.

Pra não dizer que não falei de flores….ou espinhos….
Acontecimentos recentes têm (acho que este ^ ainda não caiu com o tal acordo ortográfico, pois não!?) tumultuado, cá na Europa,  as relações de naturais de um país com os de outro. E não falo somente de certa xenofobia que é mais ou menos presente na cabeça de alguns europeus com os “de fora”. Não vou emitir opinião sobre o caso recente envolvendo uma brasileira na Suíça, ainda em curso e com respostas devidas de parte a parte, sobretudo das autoridades suíças que acusam precipidamente uma simulação. Não que a hipótese deva ser descartada, mas lembremos o triste e célebre caso de Jean Charles de Menezes, imediatamente apontado pela polícia britânica como “terrorista”. Importa mais citar o caso recente onde trabalhadores petroleiros portugueses e italianos foram praticamente expulsos da Inglaterra para dizer que a xenofobia também se dissemina entre cidadãos da própria União Européia, “união” que ainda não superou limites comerciais, as pessoas têm livre trânsito para turismo e/ou trabalho, mas não para usar de serviços públicos, como os de Saúde. Para não despertar ou acentuar paranóia na cabeça de ninguém, o que não é a intenção deste espaço, há boas e recentes novidades como a da Inglaterra desistir de vez de exigir visto de entrada para brasileiros em trânsito, mas deixo um aviso para os sul-americanos que planejam viajar para cá: cautela. Mesmo em Portugal, por parte das autoridades alfandegárias, há sinais recentes de, senão discriminação, pelo menos de um excesso de desconfiança de quem vem daí a passeio. 

Informações de hotéis em Guarda
http://www.info-hoteles.com/pt/hoteis_guarda.asp

Hostels World
www.hostelsworld.com

Travellers House
www.travellershouse.com

Tulio Muniz é Jornalista e Historiador, desde novembro vive em Coimbra, Portugal, onde faz Doutorado em Sociologia, com apoio do Programa Alban.

Para falar com o (a) colunista envie mensagem para
pelomundo@solteirosesolteiras.com.br

 

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