Pelo Mundo
Maíra Amorim e Túlio Muniz
 
 

A cidade ‘beatlemaníaca’

Quem não é fã dos Beatles não tem muitos motivos para visitar Liverpool. O turismo da cidade, que fica a duas horas e meia de trem de Londres, vive às custas de seus ex-moradores mais famosos. Eleita a capital européia da cultura em 2008, Liverpool tem algumas atrações que não relacionadas ao Fab Four, como um porto bonito e ruas repletas de lojas indicando uma prosperidade emergente. Porém, não há como fugir: foi ali que John, Paulo, Ringo e George nasceram, se conheceram e formaram a banda de maior sucesso da história da música.

Para saber como tudo começou, visite o Beatles Story, museu cujo audioguide é incluído no preço e onde é possível aprender inúmeras curiosidades sobre o grupo. Além da história contada através dos fones de ouvido, há muitos painéis e explicações – tanta informação que quase chega a cansar! Há ainda réplicas do Cavern Club, bar onde eles começaram a tocar e fazer sucesso, uma foto enorme de Abbey Road e um Yellow Submarine gigantesco. Reserve ao menos meio dia para a visita e alguns trocados para a lojinha: quem é fã vai ter vontade de comprar tudo!

O Beatles Story fica no Albert Dock, construído em 1846, e é, hoje, um centro de lazer onde também são localizados os museus Tate e Marítimo, além de vários restaurantes. O local parece frequentado tanto por turistas quanto por moradores. É bacana também notar a diferença entre Londres e Liverpool. Enquanto a cidade do Big Ben é cosmopolita e abriga gente vinda de diversos lugares do mundo, Liverpool é mais provinciana - bem diferente da torre de babel londrina.

No Cavern Quarter ficam o Cavern Club – na verdade uma reconstrução já que o original pegou fogo – e o Cavern Pub, onde rolam shows ao vivo todas as noites. As bandas não são covers dos Beatles, mas a que tocou no dia em que eu fui incluiu uma versão de “Help”. Do lado de fora, fica uma estátua de bronze de John Lennon, além de uma parede com um Hall da Fama da cidade.

O Magical Mistery Tour leva os turistas para conhecer a casa onde nasceu John Lennon, a Penny Lane e a Strawberry Fields. O tour (de ônibus) custa 14 pounds (cerca de 46 reais) e sai duas vezes ao dia. Porém existe uma alternativa para quem quiser improvisar um tour por conta própria, comprando um passe diário de ônibus comum (menos de três pounds), economizando 11 e tendo uma experiência muito melhor. Na Place 08, centro de informações turísticas, é possível pegar um folheto que explica bem direitinho como chegar aos lugares de ônibus convencional.

Nessa viagem descobri que John Lennon morava bem longe do centro da cidade (a meia hora de ônibus); que a Penny Lane é uma via comprida cheia de casas vermelhas e que a escola onde John e George estudaram ficava numa transversal da rua que dá nome à musica; que de Strawberry Fields apenas resta o portão vermelho (todo o resto foi reconstruído) e conheci a igreja em que John e Paul se conheceram.

Em dois dias dá para visitar com calma todas as atrações de Liverpool e ainda passear pelas lojas e shoppings do centro, que em nada remetem aos tempos de efervescência cultural dos Beatles, mas onde é possível encontrar boas ofertas. Outra vantagem em relação à Londres: comida, bebida e roupas, em geral, têm um preço mais acessível. Tudo isso faz da cidade natal dos Fab Four um destino interessante, que vai ter um gosto especial para os aficionados pelo grupo!

Maíra Amorim é jornalista. Já morou na França e atualmente vive em Londres, onde faz um mestrado em "Comunicação e Estudos Culturais". 

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