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Um outono em Hamburgo
Em agosto passado, estive por cerca de 10 dias em Hamburgo. Eram dias chuvosos de outono, o que não impediu um belo passeio, sobretudo por estar ciceroneado por um grande amigo “nativo”, Julius Hoehne, que nesta semana partiu para um périplo na Índia e depois Cingapura, onde começará a trabalhar como médico, o que nos custará aí uns três anos para voltar a nos vermos. Apesar de passados três meses de minha estada em Hamburgo e do inverno bater à porta, creio que serão úteis algumas dicas a seguir.
Em Hamburgo, porto e cidade são indissociáveis. É o oitavo maior porto do mundo, no rio Elba, a 80 Km do Atlântico (Mar do Norte), de onde chegam grandes cargueiros e navios de cruzeiro. O porto não pára, e ficar à noite nas margens do Elba é um dos melhores programas da cidade, sozinho ou acompanhado. O movimento neste rio-mar traz surpresas constantes, tanto quanto o oceano e se haver sorte, como eu tive, podes ver passar ao lado o Queen Mary II, um dos maiores navios de cruzeiro do mundo.
Em Hamburgo há duas características típicas da Holanda (sim, Holanda): a arquitetura em tijolos vermelhos dos antigos armazéns espalhados à beira dos canais que cruzam a parte central da cidade, e o bairro Red Ligth (luz vermelha, literalmente). Zona boêmia da cidade, nas noites de sextas-feiras e dos sábados o Red Ligth não é apenas uma área de prostituição (legalizada), mas um ponto de encontro de toda a cidade, dos turistas, das famílias. Em meio a boates voltadas para sexo, há bares e boates “normais”, todos convivendo sem escândalo. E, à parte, um quarteirão inteiro onde as prostitutas ficam na vitrine e conversam com seus clientes. Neste quarteirão, máquinas fotográficas e mulheres não são bem vindas. Além desta zona (sem trocadilhos), há o bairro estudantil, onde a cena é alternativa nos bares e danceterias.
Durante o dia são vários os barcos de passeio pelo Elba, turísticos e urbanos – estes integrados ao sistema municipal de transporte, com ônibus e metrô eficientes. Por falar nestes barcos, uma dica preciosa é pegar os que vão até Blankenese, vilarejo com bela paisagem, casas de arquitetura peculiar, e um belíssimo pôr-do-sol.
Na área central, nos canais e lagos não há barcos de transporte público, mas são muitos os barcos de turismo. O centro de Hamburgo é uma pérola, com variados estilos arquitetônicos dos últimos três séculos.
O porto propicia ainda a diversidade de caras e cores, nos gestos e corpos das pessoas. Um lugar ideal para quem aprecia a diferença.
Afora o rio, há muitos parques e praças na zona central e em bairros um pouco mais distante, como Altona, onde o parque principal tem um jardim com flores de praticamente todo o mundo.
A vida cultural é intensa, sobretudo no teatro e música, não poderia ser diferente em terra de Johannes Brahms (Hamburgo, 1833 – Viena 1897), um dos mais importantes compositores do Clássico (veja mais em pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Brahms).
Outro grande atrativo é a proximidade com a Dinamarca, há cerca de duas horas de automóvel, ao norte.
Já é quase inverno cá na Europa, estação que é ainda mais rigorosa na Alemanha, mas até nisso Hamburgo é atraente, o clima não é continental, como Berlim, o que torna mais suportável e aconhegante. É uma cidade, em todos os sentidos, calorosa.
Tulio Muniz é Jornalista e Historiador, desde novembro vive em Coimbra, Portugal, onde faz Doutorado em Sociologia, com apoio do Programa Alban.
Para falar com o (a) colunista envie mensagem
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