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Madri: descanso e festa
Estar em Madri causa uma sensação que se tem em poucas cidades: é possível senti-la. É uma cidade viva, sobretudo nas noites de sexta, sábado e domingo, quando a população parece sair em massa, um movimento espontâneo que nada tem de orquestrado. Também, pudera, teatros abertos e com espetáculos, ainda que seja pleno inverno, comércio aberto até tarde da noite, praças e pontos turísticos iluminados e, para completar, um dos menores índices de violência da Europa e do mundo (1,4 crime para cada mil habitantes).
As cervejarias – assim são chamados os bares – são atrações a parte. Cada uma é uma obra de arte, no mobiliário e na decoração, até mesmo nos banheiros (“aseos”). A cerveja espanhola é deliciosa e todo copo que se pede vem acompanhado de uma porção de pão ou presunto (“jamón”) ou queijo ou de um pouco de tudo misturado. Aliás, o presunto é uma paixão nacional levada a sério. Em Madri há lojas e cervejarias especializadas no produto e vale a pena entrar nos hipermercados espalhados da cidade para ver a seção de venda de presuntos, naquele formato de pernis de porco defumado.
O rápido e eficiente metrô cobre toda a cidade e é um dos mais baratos da Europa (um euro por trecho – cuidado, nas estações do aeroporto paga-se também para sair) e há as muitas opções para aquisição de bilhetes mais baratos, de acordo com os dias em que se ficará na cidade. No metrô se vê a miscelânea que é esta cidade, uma cidade negra, latino-americana e branca, portanto, não espere nada do silêncio germânico. Não parece ser uma convivência de todo pacífica, o governo espanhol mantém em curso uma campanha para repatriar migrantes legais com benefícios duvidosos e questionáveis para os que aderirem e se comprometerem em não retornar em pelo menos cinco anos.
Problemas políticos e sociais a parte, Madri é um encanto. No centro antigo, na zona de Atocha, há de tudo um pouco, desde boates e bares 24horas ao imperdível Museu do Prado, uma das maiores coleções de obra de pinturas do mundo – praticamente todo o Goya está la, por exemplo. Para diversões radicais há os muitos parques e zoos, que oferecem da maior reunião de montanhas russas até uma pista de esqui artificial num shopping center, o Xanadu, nas cercanias da cidade. Os parques são muitos. O maior deles é a Casa de Campo que, nos finais de semana, pode ser visto do alto de um teleférico.
Para quem vai a Madri e não possui nenhuma referência de hospedagem, consulte o www.hostalsclub.com. Caso você não queira correr o risco de “roubadas” em reservas pela net, não se preocupe, a oferta é imensa, vale a pena dedicar o primeiro dia para visitar as várias opções in loco, particularmente as de Atocha.
E mais um dica, caso se sinta enganado com alguma coisa, proteste em alto e bom tom, como fazem os espanhóis com tudo e em qualquer lugar, seja em lojas, no aeroporto, no trânsito. E não se espante caso vá a algum estabelecimento comercial e o encontre fechado entre 15h30 e 16h30: pois o velho e bom hábito da siesta é mantido por muita gente. Afinal, com tanta festa e movimento, é preciso uma boa dose de descanso.
Tulio Muniz é Jornalista e Historiador, desde novembro vive em Coimbra, Portugal, onde faz Doutorado em Sociologia, com apoio do Programa Alban.
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