Pelo Mundo
Maíra Amorim e Túlio Muniz
 
 

Nortei-se em Portugal

Entre os muitos tesouros que guarda em seu aparentemente pequeno território – porque, creiam-me, Portugal é imenso em diversidade paisagística e regionalismos -, Viana do Castelo é uma jóia no Norte de Portugal, na região do Minho. Localizado na foz do rio Lima, a cidade tem um porto e estaleiro que marcam sua história relacionada com o mar, a navegação e a pesca. Viana completou 750 anos em meio a comemorações que aludem, por exemplo, a personagens históricas, como Diogo Álvares Correia, o “Caramuru”, natural de Viana.

Em 1508, o Caramuru naufragou na costa da Baia de Todos os Santos e é celebrado pelos vianenses como “o primeiro europeu a habitar no Brasil”. Em 2008, ele foi homenageado com uma estátua (de gosto duvidoso) numa das principais praças da cidade.

Quem estiver planejando visitar Portugal na zona do Porto, recomendo ir a Viana – principalmente em julho e agosto, meses de verão e festas típicas. E vá de trem (comboio, aqui). Se não houver pressa, pegue o interurbano Porto-Braga, desça em Nine e de lá pegue o regional para Viana. A viagem é mais lenta do que a opção do comboio interregional, porém se aprecia melhor a bela paisagem do Vale do Minho. Se der sorte, de Nine a Viana pegue o comboio cujos vagões (“carruagens”) eram os de primeira classe antigamente. Viaja-se confortável e pelo mesmo preço (visite www.cp.pt e consulte preços e horários dos trens).

Caminhe bastante pelas ruelas estreitas, margeadas pelo casario cuja arquitetura relembra a da Galícia (que é perto, a menos de uma hora ao Norte). A cidade está ao pé de uma montanha em cujo cimo está a igreja de Santa Luzia, bela construção do século XVII, com um mirante onde se vê boa parte do vale do Lima e do litoral de Viana, inclusive uma praia próxima à cidade, guardada por uma reserva florestal.

Ainda na zona urbana, a orla do Lima, antes da foz, é urbanizada e muito bonita, contando também com cais para várias pequenas embarcações de pescadores da cidade. Além de diversas espécies de peixe, captura-se muito polvo. O pescado é vendido nas ruas da cidade por mulheres com carrinhos típicos. Dada a proximidade com o mar e a pesca, há um sem número de pequenos e assediados restaurantes onde se come à vontade pagando muito barato - um bom prato individual pode sair de 3 a 5 euros. Fuja dos mais caros, não vale a pena, e o tempero do Norte de Portugal é algo indescritível (me vem agora à memória e à boca o polvo empanado com salada russa, 5 euros).

Outro marco importante da história da pesca é o navio-museu Gil Eanes, ancorado permanentemente no cais urbano. Antigo hospital flutuante do Estado Novo português, concebido para levar assistência médica aos pescadores de bacalhau no Ártico, o Gil Eanes é ponto obrigatório de visita. No navio também funciona uma pousada tipo albergue, boa sugestão para dar um tom pitoresco na estadia em Viana.

Assim como a oferta de comida, também é vasta e barata a de hospedagens. Há, claro, hotéis sofisticados, mas há uma imensa variedade de pensões e residências onde pode-se hospedar em quarto individual a partir de 15 euros.

Não quero alongar muito o texto para dar espaço para algumas fotos. Resta a última dica: visitar o Teatro Municipal e o Museu, além das muitas igrejas. Para saber mais, consulte o site da Câmara Municipal de Viana: http://www.cm-viana-castelo.pt/index.php . Bom passeio.

 

 

Tulio Muniz é Jornalista e Historiador, desde novembro de 2007 vive em Coimbra, Portugal, onde faz Doutorado em Sociologia com apoio do Programa Alban.
Para falar com o (a) colunista envie mensagem para
pelomundo@solteirosesolteiras.com.br

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