Sétima Arte & Afins
Breno Gomes
 
 

Will Smith é pura empolgação na passagem pelo Brasil

A segunda passagem do astro norte-americano Will Smith pelo Rio de Janeiro comprovou algo que eu já havia achado quando ele veio lançar HITCH – CONSELHEIRO AMOROSO, o sujeito é gente boa demais, é o CARA. Acompanhado do diretor Francis Lawrence e do roteirista e produtor Akiva Goldsman, Smith veio ao Brasil lançar o seu mais recente trabalho, EU SOU A LENDA, em cartaz nos cinemas tupiniquins a partir de 18 de janeiro. Esbanjando simpatia, o ator chegou na coletiva de imprensa no Copacabana Palace animadíssimo.

Cumprimentou os fotógrafos com um empolgado “bom dia”. Durante a rápida sessão de fotos chegou a puxar uma jovem para fotografar a seu lado, contrariando o severo esquema armado de segurança. Enquanto o diretor e o roteirista/produtor eram chamados para compor a mesa da coletiva, dos bastidores, Will Smith gritava e aplaudia os companheiros. Quando seu nome foi anunciado, entrou fazendo o estilo sério, enquanto era bastante aplaudido pelos jornalistas presentes.

- Tomei muita caipirinha – justificou, rindo.

Durante 40 minutos o trio conversou com jornalistas de todo o país. Muito sorridente, Smith declarou adorar o Brasil e que estava muito contente de estar de volta. Elogiou a atriz Alice Braga, brasileira que contracena com ele em EU SOU A LENDA. O ator a viu pela primeira vez (como grande parte da população mundial) no filme CIDADE DE DEUS e ficou impressionado. A atriz esteve ausente no lançamento do filme por questões profissionais. Está rodando um novo trabalho no Canadá.

- Alice é autêntica. Desde que a vi em CIDADE DE DEUS, sabia que tinha que trabalhar com ela – declarou Smith.

Em EU SOU A LENDA, Will Smith é Robert Neville, um cientista-militar que tenta encontrar a cura para um vírus que dizimou a humanidade. Em uma Nova York abandonada, Neville tem somente a companhia da cadela Sam e segue uma série de regras estabelecidas por ele mesmo, para continuar vivo. A principal delas é nunca sair a noite, pois aqueles atingidos pelo vírus e que sobreviveram a ele são agora uma nova espécie, algo como vampiros-zumbis, sedentos por sangue.

Segundo Akiva Goldsman, o projeto dessa nova adaptação da história escrita por Richard Matheson na década de 50 do século passado, circulava pelo estúdio da Warner Bros. há 15 anos e que, por um motivo qualquer, não seguia pra frente. Muitos diretores e atores foram cotados. No fim ficaram Francis Lawrence e Will Smith.

- Tentamos modernizar a história. Manter a essência e trazer a trama para a contemporaneidade. EU SOU A LENDA não está preso a um gênero. Ele pula do drama a ficção-científica, da ficção-científica ao terror – informou o roteirista/produtor.

Quarenta minutos depois de iniciada, a coletiva foi encerrada. O trio foi aplaudido pela imprensa e Will Smith saiu como entrou, com um sorriso no rosto e demonstrando muita simpatia.

Eu gostei de EU SOU A LENDA

EU SOU A LENDA é mais uma produção que trata do fim da humanidade, especificamente a norte-americana. Os nossos amigos do Norte têm esse fascínio pela destruição, ou melhor, pela auto-destruição. Quem achou que depois do 11 de setembro isso sairia de moda, enganou-se. Diversos filmes nessa linha catástrofe têm sido produzidos por Hollywood. Tivemos A GUERRA DOS MUNDOS e O DIA DEPOIS DO AMANHÃ, e em fevereiro chega aos cinemas brasileiros CLOVERFIELD – MONSTRO. Um detalhe importante: na maioria das vezes, Nova York ainda é o cenário escolhido por roteiristas e diretores para simbolizar a destruição do planeta.

Em EU SOU A LENDA a população foi contaminada por um vírus mutante. Quem não morreu, virou um tipo de vampiro-zumbi, que só sai à noite para caçar. Em uma Nova York devastada só resta um ser humano, Robert Neville. Imune à contaminação, o cientista tem a esperança de encontrar a cura para aquele mal. Durante o dia, ele e sua fiel escudeira, uma cadela pastor alemão, andam por uma metrópole abandonada. Para talvez enganar um pouco a solidão, o cientista espalhou alguns manequins pelas ruas e estabelecimentos que freqüenta. Ele cria uma interação com os bonecos, dá nomes a eles e imagina situações. Mas quando a noite cai, Neville retorna para casa, reforça suas portas e janelas, e com arma em punho e a cadela do lado, torce para que aquela noite passe logo.

EU SOU A LENDA trata acima de tudo sobre a solidão. O personagem de Will Smith é um sobrevivente, o único de toda uma metrópole. Perdeu seus familiares, amigos e vizinhos. Viu tudo aquilo acontecer e luta para tentar reconstruir o mundo que conhecia, através de uma pesquisa para uma vacina. As seqüências que mostram o ator andando pelas ruas vazias, com carros abandonados e mato crescendo pelo asfalto, são interessantes. O espectador capta bem o desconforto daquele homem que se encontra sozinho numa daquelas que, um dia, foi a maior cidade do mundo.

A transposição do texto de Richard Matheson para a tela grande foi perfeita. Atualizada, ela apresenta um vírus que não foi resultado das experiências para se chegar a uma arma biológica perfeita. Pelo contrário, o vírus é fruto das pesquisas da cura de um mal que a tempos o homem quer se ver livre, o câncer. Quem for ao cinema pensando em assistir a mais um filme com muito corre-corre, o arrasa quarteirão da vez, acredito que irá se decepcionar. EU SOU A LENDA é uma produção milionária sim, com um grande astro do cinema americano mas, diferente de alguns congêneres, tem conteúdo. Vá assitir sem medo.

Best-seller no cinema

Pelo menos três estréias dessa semana são adaptações literárias. Além de EU SOU A LENDA, temos OS SEIS SIGNOS DA LUZ e o campeão de vendas O CAÇADOR DE PIPAS. Esse último é dirigido por Marc Foster. O filme é uma obra sensível e delicada, que traz um olhar carinhoso sobre o drama dos amigos Amin e Hassan. O primeiro é filho do patrão e, o segundo, do empregado da casa. Mesmo sendo de etnias diferentes, os meninos têm um forte laço de amizade, que se desfaz depois um trágico acontecimento que muda o rumo de suas vidas.

Confesso que não li o livro de Khaled Housseini, o que agora pretendo fazer em breve. Tocante, O CAÇADOR DE PIPAS tem um momento memorável: o torneio de pipas no céu de uma Cabul pré-comunistas e pré-talibãs. Outro destaque é a belíssima trilha sonora de Alberto Iglesias, inspiradíssima. Um belo trabalho sobre amizade e valores humanos. E, principalmente, de grande respeito com a cultura muçulmana. Imperdível.

Vencedores do Globo de Ouro

Os vencedores do Globo de Ouro foram conhecidos no dia 13 de janeiro. Não teve tapete vermelho dessa vez. Devido a greve dos roteiristas, a tradicional cerimônia de entrega do prêmio foi cancelada. Os grevistas ameaçavam fazer piquete na porta do local da festa e os astros e estrelas rejeitaram o convite em apoio à greve. Abaixo segue a relação dos premiados. E o Oscar, hein?! Como será?

Melhor Drama
DESEJO E REPARAÇÃO

Melhor atriz de drama
Julie Christie - LONGE DELA

Melhor ator de drama
Daniel Day-Lewis – SANGUE NEGRO

Melhor comédia ou musical
SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLINT

Melhor atriz de comédia ou musical
Marion Cotillard - PIAF - UM HINO AO AMOR

Melhor ator de comédia ou musical
Johnny Depp - SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLINT

Melhor diretor
Julian Schnabel - O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Melhor filme de língua estrangeira
O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (França)

Melhor ator coadjuvante
Javier Bardem - ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Melhor atriz coadjuvante
Cate Blanchett - I'M NOT THERE

Melhor animação
RATATOUILLE

Melhor roteiro
Joel Coen e Ethan Coen - ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Melhor trilha sonora original
Dario Marianelli - DESEJO E REPARAÇÃO

Melhor canção
Guaranteed - NA NATUREZA SELVAGEM

Breno Lira Gomes é jornalista e programador do Cinema Estácio
Contato: brenoalgomes@yahoo.com.br




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