Sétima Arte & Afins
Breno Gomes
 
 

O cinema de cada um

Uma das coisas que mais me atrai na sétima arte é a diversidade, seja de histórias, técnicas, estilos. Cada cineasta tem sua maneira, bastante particular, de fazer um filme. Alguns conseguem fazer disso sua marca registra, sua assinatura. Daí chegamos ao conceito de filme de autor, concebido e desenvolvido por jovens críticos franceses da Cahiers du Cinema, nos anos 60 do século passado. Conceito esse, que na minha opinião, ainda é válido. Prova disso é o filme CADA UM COM SEU CINEMA, que chega aos cinemas cariocas no dia 7 de março.

A produção reúne trabalhos de 33 diretores do mundo inteiro. À convite da direção do Festival de Cannes, cada cineasta concebeu um curta-metragem de três minutos, onde declara seu amor ao cinema. A produção foi a maneira encontrada por Giles Jacob, diretor do Festival, para comemorar os 60 anos de realização do Festival de Cinema de Cannes. O longa é uma ode à diversidade cinematográfica. Temos o saudosismo de Claude Lelouch, o olhar crítico de Wim Wenders, o humor negro de Lars von Trier, a poesia de Zhang Yimou e a brasilidade de Walter Salles.

CADA UM COM SEU CINEMA é obrigatório para qualquer amante da sétima arte. E não me refiro ao pessoal que coloca um All Star no pé e acha que sabe alguma coisa sobre cinema. Não basta usar All Star! Lógico que o filme possui alguns trabalhos não tão vibrantes e impactantes, mas nada que desmerece o longa como um todo. Essa junção de estilos diferentes tem virado rotina em Cannes. Foi de lá que veio PARIS, TE AMO. O jeito é curtir CADA UM COM SEU CINEMA e esperar o que estar por vir na próxima edição do Festival. Viva Cannes, viva o cinema!

O samba do Piteco doido

Salve Maurício de Souza, de quem pego o famoso personagem pré-histório, Piteco, para comentar sobre o decepcionante 10.000 A.C. Todo brasileiro que leu as histórias em quadrinhos de Maurício de Souza conhece o homem das cavernas Piteco. Ele convive com dinossauros e todo tipo de bicho, que na verdade nunca dividiram o mesmo espaço com o ser humano. Até aí tudo bem, afinal, HQs são pura fantasia. Assim como o cinema. A sétima arte é conhecida como a mentira a 24 quadros por segundo. Mas existem alguns filmes que exageram na dose, de forma que tudo se transforma em algo ridículo.

O espectador comum quer mais é ver o inverossímil na tela, mas em produções como 10.000 A.C., de Roland Emmerich, isso se transforma em algo tão horroroso, que não é nada parecido com a mentira que gostamos de ver no cinema. O diretor alemão, que realizou sucessos como INDEPENDENCE DAY e O DIA DEPOIS DO AMANHÃ, errou a mão feio nesse samba do Piteco doido. Ele juntou homem das cavernas com mitos, lendas, tribos africanas, Egito, para contar uma história de amor muito chata. 10.000 A.C. é mais um produto para mostrar o poderio da indústria americana no quesito efeitos visuais. E só. Não tem conteúdo ao menos para divertir, empolgar o espectador. Na sessão para a imprensa, os críticos davam gargalhadas do show de absurdos e bizarrices. Algo de um nível que ganha disparado da novela CAMINHOS DO CORAÇÃO.

Michael Moore está de volta

Os fãs e os detratores do documentarista Michael Moore podem comemorar. Estréia no Brasil o seu mais novo ataque ao governo Bush. Agora, ele mira sua câmera para os serviços privados de plano de saúde existentes nos Estados Unidos. Indicado ao Oscar de 2008, a produção bota o dedo em uma ferida americana. Tudo bem ao estilo do cineasta rechonchudo. Moore é sempre acusado de manipular seus trabalhos de forma que o espectador é pego pela emoção. Ele usa técnicas da ficção para tratar do real. E sabe fazer isso como poucos. SICKO – $O$ SAÚDE serve para nós brasileiros, que sofremos nas mãos de ricas companhias que enriquecem com a doença dos outros, como um alerta. Um filme para ser visto e discutido por todos. Principalmente para evitar que aqui ao sul do Equador as coisas tomem um rumo parecido com a América de Bush. Michael Moore conversa com vítimas desse sistema mercenário, que não está nem aí para a saúde daqueles que contratam seus serviços. O diretor vai ao Canadá, Inglaterra, França e Cuba mostrar como é possível o funcionamento de um serviço público de saúde. Veja, reflita, discuta.

Tem mais filmes nos cinemas

Outra boa estréia da semana é o falso documentário A MORTE DE GEORGE W. BUSH. Os fãs do diretor francês François Ozon podem apreciar seu novo filme ANGEL. Tem o thriller americano DESAPARECIDOS. Tem a comédia francesa EM PARIS e a comédia americana EM PÉ DE GUERRA. Da Espanha veio o suspense/terror O ORFANATO. E o representante brasileiro da semana é o crítico FIM DA LINHA.

Jovens diretores em busca de espaço

A partir do dia 10 de março eu promovo, no Cinema Estácio, a mostra NOVOS NOMES, onde reuní 9 longas-metragens de cineastas estreantes. O único filme que participa da mostra que já garantiu o seu lançamento é O BANHEIRO DO PAPA, de César Charlone e Enrique Fernández. As outras produções ainda lutam pelo seu lugar em um mercado cada vez mais competitivo. Produções realizadas com pouca grana e muita vontade de fazer cinema. A mostra NOVOS NOMES é uma realização do Curso de Cinema da Universidade Estácio de Sá, e conta com o apoio da Cavídeo e da Pipa Produções. Os filmes serão exibidos de 10 a 19 de março no Cinema Estácio, localizado na rua do Bispo, 83, Rio Comprido. As sessões serão sempre às 12h e 18h, com distribuição limitada de senhas meia hora antes de cada exibição. Imperdível!

Programação mostra NOVOS NOMES

10/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos
– 18h – Mostra Novos Nomes: QUARTA B, de Marcelo Galvão

11/03
– 11h30 – Mostra Novos Nomes: BANHEIRO DO PAPA (pré-estréia), de César Charlone e Enrique Fernández

- 18h – Mostra Novos Nomes: LADO B – COMO SE FAZER UM LONGA SEM GRANA NO BRASIL, de Marcelo Galvão

12/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: ALMA SUBURBANA, de Luiz Claudio Lima, Hugo Labanca, Leonardo Oliveira, Joana D'arc.
– 18h – Mostra Novos Nomes: PRETÉRITO PERFEITO: O FILME DA CASA ROSA, de Gustavo Pizzi

13/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: I HATE SÃO PAULO, de Luiz Toledo Barros
- 18h – Mostra Novos Nomes: CARONEIROS, de Martina Rupp

14/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: CARONEIROS, de Martina Rupp
– 18h – Mostra Novos Nomes: L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos

17/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: QUARTA B, de Marcelo Galvão
- 18h – Mostra Novos Nomes: ALMA SUBURBANA, de Luiz Claudio Lima, Hugo Labanca, Leonardo Oliveira, Joana D'arc

18/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: LADO B – COMO SE FAZER UM LONGA SEM GRANA, de Marcelo Galvão
- 18h – Mostra Novos Nomes: SUVACO 20 ANOS, de Paola Vieira

19/03
– 12h – Mostra Novos Nomes: PRETÉRITO PERFEITO: O FILME DA CASA ROSA, de Gustavo Pizzi
– 18h – Mostra Novos Nomes: I HATE SÃO PAULO, de Luiz Toledo Barros

 

Breno Lira Gomes é jornalista e programador do Cinema Estácio
Contato: brenoalgomes@yahoo.com.br




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