Sétima Arte & Afins
Breno Gomes
 
 

A INVASÃO DOS ARRASA-QUARTEIRÕES

Depois de um súbito sumiço, esse colunista está de volta para falar dos filmes em cartaz no Rio de Janeiro. Irei focar meus comentários nos chamados “arrasa-quarteirões”, as super-produções norte-americanas que aportaram em nossos cinemas.


Wall-E é poesia do começo ao fim

Quarenta anos depois de Stanley Kubrick lançar o hoje clássico 2001 – Uma Odisséia no Espaço, vem da Disney/Pixar a mais bela homenagem que o filme poderia receber. Em Wall-E, que acaba de chegar aos cinemas, a obra-prima da ficção científica dirigida pelo cineasta norte-americano é reverenciada três vezes. Duas pelo uso das músicas Danúbio Azul e Assim Falou Zaratrusta, e uma terceira que não irei falar para não revelar o final. Na trama, Wall-E é um simpático robozinho, único sobrevivente de uma série de máquinas criadas e programadas para limpar a sujeira da Terra. Detalhe: a situação do planeta ficou tão dramática, que a humanidade em peso se mandou para uma gigantesca estação espacial. Todo dia Wall-E faz tudo igual, para o qual foi programado. Sempre acompanhado de uma simpática baratinha. Sua rotina muda quando do céu surge uma nave e dela sai Eva, uma bela robô, que logo atrai a atenção de Wall-E. Dirigido por Andrew Stanton, o mesmo de Procurando Nemo, o filme é poesia pura. Talvez um dos filmes mais emocionantes já realizados. Com certeza, terá muita gente saindo do cinema com lágrimas escorrendo pelo rosto de pura emoção. A seqüência de Wall-E e Eva dançando no espaço é belíssima. Wall-E é corajoso por ter pouquíssimos diálogos, o que poderia afastar parte da platéia. Mas isso não acontece pois Wall-E é uma espécie de Carlitos do século XXI, que diz tudo sem dizer nenhuma palavra. Maravilhoso!

Hulk esmaga a concorrência

O Incrível Hulk que aportou em nossos cinemas é um filmaço. Enquanto muita gente torceu contra, por conta da péssima recepção ao filme anterior realizado por Ang Lee, essa nova produção se mostrou bastante interessante e condizente com o que a Marvel pretende fazer com os seus personagens nos cinemas. Com seqüências rodadas no Rio de Janeiro, o filme mescla com dignidade toda a dramaticidade que o personagem Bruce Banner pede, com toda a ação que o Hulk exige no grito. O ator Edward Norton está ótimo no papel central. E o diretor francês Louis Leterrier está de parabéns pelo trabalho. Os fãs não terão do que reclamar. Roteiro enxuto, cenas de ação “a dar de pau” e o Hulk esmagando geral. Se não viu, corra para o cinema e confira. O Incrível Hulk veio para detonar geral com qualquer um que quiser passar na sua frente.

Homem de Ferro uma pequena surpresa

Estrelado por Robert Downey Jr., a aventura Homem de Ferro se mostrou uma ótima surpresa nesse começo de temporada. Adaptação da famosa HQ da Marvel é a primeira produção do estúdio criado pela gigante das revistas em quadrinhos. Como em outros bons filmes baseados em HQs, aqui o roteiro recebeu um cuidado especial. Terminada a sessão você quer mais, espera ansiosamente por uma nova aventura de Tony Stark e sua armadura super avançada. Jon Favreau faz um trabalho competente, à altura do X-Men de Bryan Singer. Quanto a Downey Jr., não tem comentários. Ele está perfeito como o playboy bilionário que após um seqüestro resolve lutar pela paz. Detalhe: sua fortuna provém da rentável indústria bélica. Com cenas de ação de tirar o fôlego e uma seqüência surpresa no final dos créditos, Homem de Ferro pode ser considerado, até então, a melhor adaptação de uma história em quadrinho lançada em 2008 nos cinemas.

Go Speed Racer, go!

Confesso que não acompanhei as reprises da animação Speed Racer na televisão. O que conhecia do personagem era do que os amigos falavam. Automobilismo não é o meu forte. Fui assistir ao longa dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, sem grandes expectativas. E gostei muito do que vi na tela. O visual psicodélico, super colorido, me agradou bastante. Sem falar na montagem de Roger Barton e Zach Staenberg, que se mostrou dinâmica e bastante atual. Em filmes como Speed Racer, a velocidade é comanda a trama. E isso está evidente no trabalho dos montadores, que brincam com o tempo de uma forma fantástica, que não cansa e nem confunde o espectador. Os personagens estão bem caracterizados (segundo comentários dos amigos-fãs da série). O que para uma adaptação de desenho animado é primordial. Com certeza é um filme que irá agradar principalmente o público masculino, mas as mulheres irão se contentar com o jovem galã do momento, Emile Hirsch, perfeito como o protagonista.

Indiana Jones e o retorno do herói

Assistir uma aventura de Indiana Jones era uma experiência que eu ainda não tinha vivenciado. E graças a Deus, a Steven Spielberg, George Lucas e Harrison Ford, eu tiver o prazer de assistir Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Nessa nova aventura, você tem o bom e velho arqueólogo envolvido em mais uma trama em torno de um artefato. Por favor, não espere assistir algo verossímel em uma aventura do Indiana Jones. Na verdade, o que nós mais queremos é o exagero, o excesso de mentira, situações rocambolescas, que nos fazem pular da poltrona e torcer pelo herói. Spielberg é talvez o cineasta que melhor sabe lidar com a ilusão, a fantasia, a mentira a 24 quadros por segundo. E isso ele prova na série estrelada por Ford e produzida por Lucas. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um emaranhado de auto-referências. Estão ali tudo que caracteriza a cinematografia de Spielberg. Seqüências absurdamente irreais e divertidas, a questão paterna, seres de outro planeta, vilões maquiavelicamente caricatos. Com certeza um ótimo retorno. A volta de um herói clássico, algo que o cinema sentia falta há muito tempo. Por isso, não perca tempo. Vá assistir logo essa eletrizante aventura, com um balde enorme de pipoca. Permita-se a duas horas de muita aventura, mentira e fantasia.

É só pessoal! Semana que vem tem mais.

 

Breno Lira Gomes é jornalista e programador do Cinema Estácio
Contato: brenoalgomes@yahoo.com.br




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