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UM EXERCÍCIO
CINEMATOGRÁFICO: O QUE VER NO CINEMA?
Essa semana gostaria de propor
algo diferente em meu texto. Estava começando
a escrever essa coluna quando percebi que,
dos filmes que estreiam nessa sexta, o único
que consegui ver foi “Jogo de
Cena”, documentário de
Eduardo Coutinho.
Para mim, sendo eu um cineasta
brasileiro, fica difícil escrever
um texto somente baseado em um filme nacional.
Mesmo que essa crítica seja elogiosa,
sempre ficam ressalvas e apartes, que causam
incômodo, ao mesmo tempo que não
me sinto à vontade de escrever algo
elogiando completamente um trabalho somente
para me proteger como crítico e jornalista.
Então essa semana
decidi fazer algo diferente. Analisar os
filmes que estão estreiando pela
ótica de um espectador comum, que
ainda não os viu, e está tentando
escolher o que vale ir ao cinema. Vamos
às nossas opções:
Planeta Terror –
O filme traz o pedigree da dupla Robert
Rodrigues e Quentin Tarantino. Faz parte
de um projeto conjunto de dois filmes em
um, que se completa com Prova de Morte.
Aqui os filmes estão sendo lançados
separadamente, primeiro o Planeta...
de Rodrigues e, posteriormente, Prova...
de Tarantino. Trata-se de uma homenagem
ao cinema escatológico, com zumbis,
perseguições de carro, muito
sangue e mulheres em roupas diminutas. É
uma garantia de diversão e entretenimento.
Rodrigues mostrou em Sin City que
tem um cuidado gráfico com a imagem
e a narrativa, mas, nesse projeto, provavelmente
deve haver muito da segunda parte de Um
Drink no Inferno, um filme que eu adorei,
mas que vi muita gente saindo no meio da
sessão. Portanto, aos desavisados,
esperem um misto do cuidado gráfico
de Sin City com os vampiros roqueiros de
Um Drink...
Leões e Cordeiros
– Tom Cruise, Meryl Streep
e Robert Redford juntos no mesmo filme garante
que essa é uma produção
bem cuidada. Ao pensar em Leões
e Cordeiros eu levo alguns fatores
em consideração: um filme
sobre a política da Guerra do Golfo
com Tom Cruise? Não vou ao cinema.
Mas, espere, é dirigido por Robert
Redford, ativista político, cineasta
competente?! Humm, pode ser. Com Meryl Streep?
Ótima atriz, ou seja, ótima
interpretação... mas, ao mesmo
tempo, participou do delicioso O Diabo
Veste Prada, e também fez Sob
o Domínio do Mal, um filme de
política, guerra (humm...), com Denzel
Washington, e fraquinho de dar dó....
não sei não, talvez eu espere
ver em DVD... mas eu sempre posso morder
minha língua.
Antes só
do que Mal Casado – vou ser
sincero: este filme passo longe...mas, antes
que me julguem, não sou daqueles
caras que odeiam comédias bobas americanas.
Muito pelo contrário, também
gosto de uma boa risada. Porém, analisando
Antes só... eu penso: uma
comédia com um astro do patamar do
Ben Stiller e que eu não escutei
quase nada? Não deve ser boa coisa.
União de Ben com os Irmãos
Farrely? É um risco. Os irmãos
Farrely são conhecidos por suas comédias
de humor grosseiro, têm em seus currículos
Quem vai Ficar com Mary?, Eu, eu mesmo
e Irene, Ligado em Você, entre
outros. O filme que eu mais gosto deles
é Amor em Jogo, com Drew
Barrymore, baseado num filme inglês
chamado Febre de Bola que, por
sua vez, é baseado num romance de
Nick Hornby (dos geniais Um Grande Garoto
e Alta Fidelidade). Antes só...
é baseado numa comédia romântica
do dramaturgo Neil Simon. Mesmo assim eu
continuo desconfiado e acho que realmente
vou passar longe dos cinemas nesse caso.
Mandando Bala –
Não se enganem pela presença
de Paul Giamatti, conhecido por sua participação
em filmes dramáticos e independentes.
Lembrem-se de que um dia ele fez um filme
chamado O Grande Mentiroso, em que ele se
pinta todo de azul. Em Mandando Bala
ele vem acompanhado de Mônica Belluci
(que sempre vale o ingresso) e Clive Owen,
que tem altos e baixos em seu currículo.
O que eu sei de Mandando Bala é que
trata-se de uma comédia de ação,
tão exagerada que lembra os desenhos
animados. Vale a pena ver? Simples: se você
gostou de Tiro e Queda, com Mark
Walhberg e Lou Diamond Phillips, ou de Carga
Explosiva, com Jason Statham, corra
para o cinema.
O Bufalo da Noite
– Este filme tem como atrativo
mais importante o nome de Guillermo Arriaga,
roteirista dos filmes Babel e Amores
Brutos. Traz em seu elenco Diego Luna,
parceiro de Gael Garcia Bernal em E
Sua Mãe Também e amigo
de Tom Hanks em O Terminal. O que
eu sei dele é que trata-se de um
drama pesado com altas doses de sexo. Trata-se
de um bom filme? Só depois de ver
eu posso dizer. Mas se você ainda
não tiver visto O Passado, de Hector
Babenco, com Gael no elenco, eu indicaria
essa opção, pois é
uma garantia de um bom drama pesado.
Meu Melhor Amigo
– Comédia francesa,
dirigida por Patrice Leconte e com Daniel
Auteuil. Esse eu vou ao cinema com certeza.
O melhor filme que assisti no Festival do
Rio foi uma comédia com Auteuil chamada
Conversas com o Meu Jardineiro.
É um filme simples, com uma poética
e um texto que te envolvem e emocionam do
início ao fim. Auteuil é famoso
por escolher bons roteiros para atuar, vide
O Closet, A Rainha Margot e Pintar ou
Fazer Amor. É um ator que vale
a ida ao cinema.
Jogo de Cena –
Chegamos ao filme que eu assisti. Jogo
de Cena é Coutinho em sua melhor
forma. Um filme intrigante e instigante,
que traz depoimentos reais misturados a
atrizes que interpretam histórias.
Quem é quem? Quem interpreta e quem
é real? Esse é o grande barato
do filme: brincar com o espectador e com
a capacidade do documentário de subverter
a realidade. A ressalva que eu tenho é
quanto à sua duração.
Jogo de Cena é excessivamente
longo, o que o torna cansativo. Se tivesse
uns 20 minutos a menos seria uma deliciosa
brincadeira com nossa mente, porque o interessante
do filme é não saber o que
é real e o que é ficção.
As histórias em si são emocionantes,
mas não inovadoras. Coutinho entrevistou
cerca de oitenta mulheres antes de selecionar
as histórias que estão no
filme e, entre oitenta pessoas, sempre vão
existir cinco ou seis histórias que
valem a pena escutar. Então, o instigante
do filme não são propriamente
as histórias. Sei que é doloroso
para um documentarista deixar momentos maravilhosos
de fora de seu filme, mas Coutinho podia
ter deixado uma ou duas histórias
para os extras do DVD.
Breno Lira
Gomes é jornalista e programador
do Cinema Estácio
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