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CINEMA BRASILEIRO
DE QUALIDADE
Duas boas produções
nacionais chegam aos cinemas do país
no feriado de dois de novembro. SEM CONTROLE,
de Cris D’Amato, e PODECRER!, de Artthur
Fontes, são a prova de que é
possível dar um primeiro passo no
cinema com qualidade. Ambos os filmes são
estréias de seus realizadores na
direção de longas-metragens
de ficção. Arthur já
havia dirigido o documentário SURF
ADVENTURES e Cris foi assistente de direção
de diversos filmes.
PODECRER! investe na comédia
adolescente, um tipo de filme que, no Brasil,
pouco se faz e que Hollywood todo ano lança
centenas de títulos. A história
se passa em 1981 e mostra o dia-a-dia, os
amores e os sonhos de uma turma de estudantes
ansiosa por mudanças. Arthur Fontes,
que viveu intensamente esse período,
conseguiu fazer um filme leve e gostoso
de assistir, que será nostálgico
para alguns e uma descoberta para outros.
O elenco, formado por nomes como Dudu Azevedo,
Maria Flor, Fernanda Paes Leme e Silvio
Guindane, se mostra bem à vontade
nos papéis.
O fato dos anos 80 ser o
revivel do momento, pode ajudar o filme
em sua carreira. A dupla formada por Guindane
e Gregório Duvivier é um achado.
Você vai sair do cinema falando “Babilônia”
o tempo inteiro. E quando Fernanda Paes
Leme se insere no meio dessa dupla a tela
pega fogo. Ponto também para Stepan
Nercessian e sua cena do chá de cogumelo.
Fantástica. A trilha sonora, que
em breve sairá pela Universal Music,
tem uma seleção primorosa
de músicas do finzinho dos anos 70
e começo dos 80. A pequena participação
de Lulu Santos como padre diretor do colégio
São Jorge também vale a ida
ao cinema.
Já o filme dirigido
por Cris D’Amato, SEM CONTROLE, conta
a história do último homem
condenado a morte no Brasil. O roteiro mescla
o fato real com a vida de um diretor de
teatro, que se encontra em um momento difícil.
Danilo Porto, protagonista do filme, passa
por uma crise nervosa depois do fracasso
de sua peça baseada na história
de Motta Coqueiro. Com uma montagem ágil
e um elenco afinado, D’Amato conseguiu
fazer um belo trabalho sobre o conflito
do que é real com o que é
ficcional. Eduardo Moscovis, que interpreta
Danilo/Motta Coqueiro, está em seu
melhor momento. Ele vive com intensidade
o diretor em crise. Milena Toscano é
um bela surpresa na pele de uma femme fatale
bem misteriosa. O interessante da produção
é que esse é o primeiro longa-metragem
não só de Cris D’Amato,
mas também do roteirista Sylvio Gonçalves
e do montador Eduardo Hartung. Um trabalho
de qualidade, que vale uma conferida.
OUTRAS DICAS:
* Noel – Poeta da
Vila
* A Via Láctea
* 1408
Breno Lira
Gomes é jornalista e programador
do Cinema Estácio
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